domingo, 25 de novembro de 2012

Hepatite C, à maior idade menor possibilidade de cura

Pesquisa publicada na edição de novembro da "Alimentary Pharmacology and Therapeutics" confirma mais uma vez o erro que é deixar de tratar a hepatite C precocemente. Pessoas com idade entre 50 e 64 anos apresentam uma possibilidade de cura de 61,5%, mas se o paciente tiver mais de 65 anos a possibilidade de cura será de somente 40,7%. Vale então a pena esperar para realizar o tratamento?
Os pesquisadores da Universidade Chang Gung Memorial de Keelung, de Taiwan, compararam a efetividade do tratamento com interferon peguilado e ribavirina em um grupo de 182 pacientes. No grupo 81 pacientes tinham mais de 65 anos e nos outros 81 a idade ficava entre 50 e 64 anos. Os pacientes de cada grupo estavam infectados com os genótipos similares da hepatite C e receberam tratamento idêntico durante 24 semanas.
A resposta rápida na quarta semana do tratamento foi similar, acontecendo em 65,1% dos pacientes mais jovens e em 56,2% dos pacientes com mais de 65 anos. Também, a resposta virológica precoce na semana 12 do tratamento foi similar, acontecendo em 91,6% dos mais jovens e em 83,3% dos mais velhos. Ao final do tratamento 89% dos pacientes entre 50 e 64 anos estavam indetectáveis, contra 79% dos pacientes com mais de 65 anos, uma pequena diferença estatística.
Mas a resposta sustentada, considerada a cura da hepatite C é a mais afetada pela idade do paciente. Somente 40,7% dos pacientes com mais de 65 anos resultou curado da hepatite C. Entre os pacientes com idade entre 50 e 64 anos 61,5% obtiveram a cura.
Os dados mostram que infectados de hepatite C com idade entre 50 e 64 anos possuem 50% mais de possibilidade de curar a doença que aqueles que já completaram 65 anos. Seguramente, em indivíduos com menos de 50 anos a possibilidade de cura é ainda maior, conforme muitos estudos já publicados.
Em pacientes infectados com o genótipo 1 foi observada a maior recidiva após o tratamento, voltando a se encontrar positivos aos seis meses após o final do tratamento. A resposta rápida na semana quatro do tratamento foi confirmada como o melhor fator prognostico, seguida de ser portador dos genótipos 2 ou 3, ser homem, ser jovem e, antes do tratamento possuir um número elevado de plaquetas.
Entre os pacientes de maior idade a interrupção do tratamento por efeitos adversos aconteceu em 13,2% dos pacientes, contra somente 7,7% entre os de menor idade.
Concluem os autores que dada a expectativa de vida e a moderara efetividade do tratamento em pacientes de maior idade, deveria se recomendar o tratamento quanto antes aos pacientes com mais de 50 anos de idade.

MEU COMENTÁRIO

Fica então a pergunta: É economicamente conveniente não tratar a hepatite C precocemente? Porque perder a oportunidade da cura quando ela pode ser maior e aguardar que o paciente piore sua saúde para então propor o tratamento?


Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Efficacy and safety of ribavirin plus pegylated interferon alfa in geriatric patients with chronic hepatitis C - C. Hu; L. Lin; L. Kuo; H. Chie; W. Chen; L. Yen; Y. Lin; N. Chien - Alimentary Pharmacology and Therapeutics - Article first published online: 5 NOV 2012 - DOI: 10.1111/apt.12112


Carlos Varaldo

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