É um verdadeiro absurdo o que acontece com a realização de testes de carga viral em pacientes infectados com a hepatite C. Já falamos muitas vezes ao respeito, mas ainda existem médicos que continuam confundindo a hepatite C com a AIDS ou com a hepatite B.
A carga viral e muito importante na AIDS e na hepatite B já que uma alta carga viral nestes pacientes pode indicar uma progressão mais acelerada da doença e alertar o medico sobre um quadro mais preocupante.
Lamentavelmente ainda existem médicos que "acham" que a carga viral tem a mesma finalidade em pacientes com hepatite C.
Na hepatite C a carga viral nada indica em relação ao estagio da doença, ao dano que possa existir no fígado, a velocidade da progressão da doença ou a agressividade do vírus. É exatamente o mesmo ter milhões de vírus que baixos níveis. Pacientes com altas cargas virais podem não apresentar nenhum dano no fígado e pacientes com baixas cargas de vírus podem ter evoluído para a cirrose.
O único objetivo da carga viral na hepatite C e destinado a acompanhar o tratamento do genótipo 1 quando utilizado o interferon peguilado. Serve exclusivamente para isto. Nem sequer tem utilidade nos genótipos 2 e 3 ou, quando o genótipo 1 for tratado com o interferon convencional.
Assim, a carga viral somente deve ser solicitada a pacientes com genótipo 1 que nos próximos dias estejam iniciando o tratamento com interferon peguilado, pois o resultado vai prognosticar que indivíduos com carga viral baixa poderão responder melhor que pacientes com alta carga viral.
A seguir, na semana 12 do tratamento e feita uma nova carga viral e se o paciente não negativou ou não reduziu em pelo menos 2 log. (100% do resultado anterior ao tratamento) o valor da carga viral, o tratamento deverá ser interrompido, pois estará confirmado que o paciente possui um vírus resistente ao interferon e que não existem possibilidades de negativar o vírus continuando com o tratamento. Neste ponto, existem alguns estudos que falam, que se o paciente tinha uma carga viral alta, acima de 850.000 UI/ml o tratamento deveria continuar por mais 12 semanas e então se fazer uma nova carga viral, então, se esta segunda ainda esta positiva o tratamento será interrompido.
Em ambos os casos acima citados, tendo baixado o nível em 2 log. ou tendo negativado, o tratamento continua até a semana 48 e nunca mais e feita a carga viral, se realizando somente testes qualitativos de PCR ou TMA.
Em pacientes com genótipos 2 ou 3 a carga viral não tem nenhum valor e somente são realizados testes qualitativos de PCR ou TMA e o tratamento sempre deve ser realizado por 24 semanas, sem realizar nenhum teste na semana 12.
Assim e que recomendam todos os consensos e protocolos de tratamento sendo assim que devem ser acompanhados os pacientes. A realização de testes de carga viral fora do tratamento ou em pacientes com genótipos 2 ou 3 demonstra desconhecimento em relação ao tratamento e acompanhamento de pacientes com hepatite C.
A minha recomendação para os pacientes e que em casos em que o aconselhamento e acompanhamento e feito em função da carga viral o melhor será mudar de médico procurando um outro profissional. Sei que alguns (poucos) médicos não irão gostar desta sugestão, mais a maioria
são bons profissionais e concordarão com esta recomendação.
Por ser o Grupo Otimismo um grupo de portadores a nossa obrigação e recomendar o melhor para o paciente. Insisto que se trata de uma recomendação baseada em consensos e protocolos, ou seja, no total conhecimento cientifico em relação ao acompanhamento e tratamento de infectados com a hepatite C.
Carlos Varaldo Grupo Otimismo
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